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A sabedoria de Ariano Escrito em 12 de junho de 2007
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Na terça passada, participei da mesa de abertura do seminário Diálogos, promovido pelo pessoal do Teatro de Anônimo. A proposta era debater a cidade como território de pertencimento e suas relações com a cultura brasileira - mais especificamente a que é feita no âmbito do Rio de Janeiro. A pedido dos organizadores, concentrei-me sobre o viés literário, que já nos deu feras como Marques Rebello, João do Rio, João Antônio, Rubem Fonseca e Carlinhos da Oliveira, apenas para citar alguns.

Na ocasião, observei que o Rio vem, na verdade, desaparecendo progressivamente da nossa literatura. Não sei se devido a uma ânsia ‘primeiromundista’ de muitos de meus colegas autores em soar 'universal' apagando o que é peculiar (já tive tal ânsia: meu Memória dos barcos não tem marcas locais), o fato é que a cidade que surge nas páginas escritas atualmente é sempre e cada vez mais a mesma cidade. Como dizia um antigo e querido professor, só muda o nome da placa no aeroporto.

Definitivamente, parece ter saído de moda a célebre máxima de Tolstói, assinalando que, para ser universal, deve-se sobretudo falar de sua aldeia. Dia desses um amigo jornalista chegou a argumentar que "não existe literatura brasileira". E não me venham com papo furado de que a globalização tornou todos os lugares iguais. Embora o caminho infelizmente pareça ser este, ainda existem as tais singularidades. E, como escritor, são justamente esses traços absolutamente próprios de um espaço geográfico (e cultural) que me interessam. A literatura do mesmo, que não busca o vigor na alteridade, acaba soando como pastiche em algum momento. Creio que este momento chegou.

Por isso foi tão alvissareiro ler a entrevista de mestre Ariano Suassuna, publicada ontem no Caderno B (Jornal do Brasil). Afirma ele: “À medida que a economia e a política caminham para a globalização, se a gente deixar, vai acontecer com a cultura o contrário da universalidade, que é a uniformização. Por isso me chamam de nacionalista estreito. Mas eu acho que as culturas se estendem fraternalmente as mãos. Não tenho nenhuma dificuldade em me entender com Gogol, Dostoievski, Tosltói ou Molière – e espero que a recíproca seja verdadeira! O ser humano é o mesmo em qualquer lugar. (...) Quando leio um escritor russo, não quero ver um romance que poderia ser passado em Hamburgo ou Nova York. Quero encontrar os problemas contados de acordo com as circunstâncias russas e com o temperamento do escritor. É nessa linha que procuro me situar."

Eu também, Ariano, eu também.

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