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Fotojornalismo - Ainda indispensável? Escrito em 27 de junho de 2007
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A edição de junho dos Encontros do Subsolo - que acontece hoje, às 18h30 - colocará em discussão o tema Fotojornalismo - Ainda indispensável?. Mediado por mim e com entrada gratuita, o debate vai reunir dois bambas da área: Evandro Teixeira e Dante Gastaldoni.

Evandro dispensa apresentações. Lendário repórter fotográfico do Jornal do Brasil, ele é autor de registros que se tornaram clássicos, como o da passeata dos 100 mil e este, acima, que flagra bailarinas durante um ensaio. A exemplo de Evandro, Dante também foi vinculado ao JB e hoje, além de professor da UFRJ e da UFF, coordena a Escola de Fotógrafos Populares na favela da Maré.

Os Encontros do Subsolo, dos quais sou curador, são uma realização da Livraria Leonardo da Vinci (Av. Rio Branco, 185).

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As aspas do pai Escrito em 26 de junho de 2007
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Foram, no mínimo, bizarras as declarações do empresário Ludovico Ramalho, pai de Rubens Arruda (19 anos), um dos marginais que espancaram a empregada doméstica Sirley Dias (foto) antenontem num ponto de ônibus na Barra. Embora tenha admitido que o filho "fez uma bobagem", Ludovico disse "não ser justo que manter presas crianças (sic) que estão na faculdade, estudando". "Vão acabar com a vida deles", alertou ele, num sentimento de dó talvez semelhante ao que sentiu pela 'criança' que há poucos meses assassinou João Hélio. Ou criança é só a que pertence à classe média alta?

O mais curioso é que o mesmo Ludovico, ao presenciar o ataque de um banco de traficantes à delegacia da Ilha do Governador, bradou: "É uma loucura! Os traficantes não podem mandar na cidade! (...) Eu podia ter morrido!". Opa! Então a lei e o Estado de Direito valem para os traficantes, mas não para o seu precioso rebento?

Cana - e cana dura - é o que os cinco bobalhões agressores merecem.

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Diana, Diana, Diana, Diana Escrito em 26 de junho de 2007
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Hoje, a partir das 19h, vai rolar o lançamento de Dois que não o amor, o aguardado livro de estréia da querida Diana de Hollanda. O burburinho acontecerá no sebo Baratos da Ribeiro (Rua Barata RIbeiro, 354 - Loja D), e eu, é claro, estarei lá.

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Uma festa imodesta Escrito em 25 de junho de 2007
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Eu e Hugo Sukman, entre Pepê (Pedro Paulo Malta) e Zé Luís do Império Serrano: couberam aos dois cantores as canjas da noite

Mais de 60 amigos queridos (que, em agradecimento, faço questão de nominar abaixo*) foram responsáveis pela noite especialíssima de sexta passada, quando comemorei meus 35 anos no Trapiche Gamboa, ali pertinho de onde o samba nasceu. A roda, animada pelo grande tricolor Galotti, encarou sucessos de João Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro, Monarco, Roberto Ribeiro, Clara Nunes, Nelson Cavaquinho e Cartola, entre outros bambas, e contou ainda com as canjas de Zé Luís do Império Serrano e Pedro Paulo Malta (que acabara de chegar do espetáculo Sassaricando ansioso por uma cerveja gelada). As fotos da festa estão aqui.

* Aline; Antonia Pellegrino; Cid Benjamin, Ângela e Ana; Chico Bosco; Débora Thomé e Antonio Góes; Elvira Vigna e marido; Eugênia Rodrigues; F.; Felipe (Fipo) Sudo e Rodrigo; Flávia Moutinho e Marcos; Flávio Izhaki e Bá; Galotti; Guilherme Sucena e namorada; Henrique Rodrigues; Hilda Badenes; Hugo Sukman; Joana Rego; JP Cuenca e Rosana Caiado; Leonardo Lichote; Licínio; Loredano e Rosana Lobo; Lucas Porto; Lucia Bettencourt; Lucia Helena; Luise Campos; Luiz Carlos Rocha e Solange; Luiz Felipe Gama; Marcelo Chalréo e namorada; Marcelo Copello e Raphaela; Marcelo Janot e Nina; Marceu Vieira; Mariana Pamplona; Miguel Conde; Paulo Roberto Pires e Valéria; Pedro Paulo Malta (Pepê) e Cláudia Lamego; Valéria Lamego e namorado; Rodrigo Zaidan; Victoria Saramago e namorado; Vitor Fraga e Sílvia; Vicki; Vivi; Wilson Flora (Baiano); Zé Luís do Império Serrano.

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Curso e oficina com Flávio Carneiro Escrito em 21 de junho de 2007
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O amigo e ex-professor amigo Flávio Carneiro, indicado ao Jabuti pelo romance A confissão, vai ministrar uma oficina e um curso durante o mês de julho. Na oficina, voltada para o gênero conto, serão analisados o personagem, o narrador e a história. As aulas acontecerão a partir do dia 10 de julho na Estação das Letras (Tel: 3237-3947), sempre às terças, das 14h30 às 16h30, durante cinco meses. Mensalidades a R$ 200.

Já o curso Passeio pela ficção brasileira: Do século XIX ao XXI dissecará nossa literatura a partir das obras de Manuel Antônio de Almeida a Rubens Figueiredo, passando por João do Rio, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, entre outros autores.

O objetivo, segundo Flávio, é traçar um panorama da ficção brasileira numa perspectiva comparada, buscando entender o trabalho de cada escritor no contexto mais amplo de nossa tradição literária e da narrativa ocidental dentro do período proposto. As aulas - sempre às quartas, das 18h às 20h - rolarão na Sala de Leituras (Tel: 2285-1639, no Catete, e terão início no dia 18 de julho. Mensalidades a R$ 150.

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Fogos Escrito em 20 de junho de 2007
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Incluí o conto Fogos (originalmente publicado em Somos todos iguais nesta noite) ali na seção de Contos, Crônicas e Artigos. Leia, abaixo, um trecho. Confira a íntegra aqui.

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Tudo começou com um pedaço de guardanapo, que entreguei a ele já meio bêbada, depois que dançamos duas músicas juntos na festa do namorado da Claudinha; havíamos conversado um pouco, ele arquiteto e interessado em design, essas coisas, eu dizendo que adorava arquitetura mas detestava o modernismo, e o papo correu para Itaipava por causa da Lota de Macedo Soares, e eu falei que sonhava morar naquela casa em que ela morou com a Elizabeth Bishop e tinha lido o livro sobre a vida das duas, aí ele riu e brincou: “mas aquela casa é em estilo modernista”, eu fiquei sem graça mas não dei bandeira não, fui logo retrucando que na casa delas, mesmo sendo modernista, eu moraria feliz, por causa da história de amor entre as duas; ele me chamou de romântica e perguntei se ele não se considerava romântico; “mais ou menos”, respondeu, um pouco vermelho, envergando o rosto para baixo;

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TV Cronópios Escrito em 20 de junho de 2007
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Quem me deu a dica foi o João Carlos Rodrigues e concordo com ele: é mesmo um luxo a TV Cronópios, que entrou ar há poucos dias. Com uma programação visual simples e elegante, a TV estréia trazendo uma ótima entrevista com Marcelino Freire, gravada na Fnac de São Paulo.

Na conversa com Edson Cruz (um dos que comandam a TV e o site homônimo), o autor fala com a verve e a lucidez habituais sobre sua infância no sertão do Recife, a ida para São Paulo, os primeiros passos na literatura e sua visão sobre o escritor no Brasil de hoje. Marcelino é um daqueles exemplos cada vez mais raros de generosidade, um cara que merece toda a audiência, sempre.

A edição da entrevista é espertíssima, e a TV disponibiliza fotos e imagens da pré-produção. Trabalho de primeira do pessoal do Cronópios, que merece todos os parabéns. Confira aqui.

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Prêmio Jabuti Escrito em 19 de junho de 2007
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Acaba de sair o resultado do Prêmio Jabuti, com os 10 finalistas de cada categoria*. Como sempre, há absurdos imensos (o panfletário Logo tu repousarás também, de Charles Kiefer, é uma das mais gritantes) e inclusões merecidas, como as dos queridos Antonio Torres e Flavio Carneiro (melhor romance), de João Anzanello Carrascoza (melhor livro de contos/crônicas) e do normalmente subvalorizado Michel Laub (melhor romance).

A Rocco inscreveu o meu Somos todos iguais nesta noite, mas não deu nem para a saída, como era de se esperar. Embora eu tenha plena confiança na qualidade do livro, até porque li boa parte do que chegou ao mercado, sei que o Jabuti é briga de cachorro grande, onde a grife conta muito. Lamento mais - e sobretudo - é pela ausência do belo livro do Henrique Rodrigues (A musa diluída), que - sem nenhum medo de errar - asseguro a vocês ser superior a pelo menos 80% da lista de poesia.

Seguem os indicados em romance, conto/crônica e poesia:

ROMANCE

1º PELO FUNDO DA AGULHA - ANTONIO TORRES - RECORD
2º DESENGANO - CARLOS NASCIMENTO SILVA - AGIR
3º MÃOS DE CAVALO - DANIEL GALERA - COMPANHIA DAS LETRAS
4º VISTA PARCIAL DA NOITE - LUIZ RUFFATO - RECORD
5º OS VENDILHÕES DO TEMPLO - MOACYR SCLIAR - COMPANHIA DAS LETRAS
6º A DÉCIMA SEGUNDA NOITE - LUIS FERNANDO VERISSIMO - OBJETIVA
7º MÚSICA PERDIDA - LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL - L&PM
8º O SEGUNDO TEMPO - MICHEL LAUB - COMPANHIA DAS LETRAS
9º A CONFISSÃO - FLÁVIO CARNEIRO - ROCCO
10º BÓRIS E DÓRIS - LUIZ VILELA - RECORD

CONTOS E CRÔNICAS

1º RESMUNGOS 0 FERREIRA GULLAR - IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
2º CONTOS DE PEDRO - RUBENS FIGUEIREDO - COMPANHIA DAS LETRAS
3º A CASA DA MINHA VÓ E OUTROS CONTOS EXÓTICOS - ARTUR OSCAR LOPES
CRÔNICAS DA PROVÍNCIA DO BRASIL - MANUEL BANDEIRA - COSAC NAIFY
4º REMEMBRANÇAS DA MENINA DE RUA MORTA - VALÊNCIO XAVIER - COMPANHIA DAS LETRAS
5º A COLEIRA NO PESCOÇO - MENALTON BRAFF - BERTRAND BRASIL
6º SEM MEDO DE VOAR - PADRE BETO (ROBERTO FRANCISCO DANIEL) - AMPUB COMERCIAL
7º O VOLUME DO SILÊNCIO - JOÃO ANZANELLO CARRASCOZA - COSAC NAIFY
8º O SENHOR DAS HORAS - AUTRAN DOURADO - ROCCO
9º LOGO TU REPOUSARÁS TAMBÉM - CHARLES KIEFER - RECORD
CARTAS DE VIAGEM E OUTRAS CRÔNICAS - CAMPOS DE CARVALHO (REPRESENTADO POR D. LIGIA ROSA DE CARVALHO) - JOSÉ OLYMPIO
10º ELA E OUTRAS MULHERES - RUBENS FONSECA - COMPANHIA DAS LETRAS

POESIA

1º A IMITAÇÃO DO AMANHECER -BRUNO TOLENTINO - GLOBO
2º CÂNTICO PARA SORAYA - NEIDE ARCHANJO - A GIRAFA
3º CANTIGAS DO FALSO ALFONSO EL SABIO - AFFONSO ÁVILA - ATELIÊ EDITORIAL
4º MEMÓRIAS INVENTADAS - A SEGUNDA INFÂNCIA - MANOEL DE BARROS
PLANETA DO BRASIL
5º MERIDIANO CELESTE - MARCO LUCCHESI - RECORD
6º RARO MAR - ARMANDO FREITAS FILHO - COMPANHIA DAS LETRAS
7º LIVRAMENTO - FLÁVIO MOREIRA DA COSTA - AGIR
8º NO JARDIM DE INVERNO - ARMINDO BRANCO MENDES CADAXA
9º O EXÍLIO DE POLIFEMO - FERNANDO ANTÔNIO DUSI ROCHA
CANTIGA DE AMOR IRRESPONDIDO - PEDRO COSTA - ARX
10º ESTRADAS DO TEMPO - FULVIA MORETTO

* Com o pedido de perdão antecipado pela ignorância, alguém pode me esclarecer se os livros de Manuel Bandeira e Campos de Carvalho, por exemplo, são inéditos, como o regulamento do concurso exige?

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Leci Brandão, por Andreazza Escrito em 18 de junho de 2007
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O amigo imperiano Carlos Andreazza acaba de marcar mais um gol lá no site Tribuneiros, onde escreve regularmente. Em seu artigo de hoje, ele relata, com adjetivos sempre muito bem colocados (e saber colocá-los é, em si, uma arte), a visita de Leci Brandão à quadra imperial, durante a feijoada do sábado passado. O texto é uma ode à artista mangueirense, mas é (também) muito mais. É, sobretudo, uma ode a um modo de se fazer samba (e de se fazer arte) que começa a desaparecer. Publico, abaixo, o trecho inicial. Confira a íntegra aqui.

Leci Brandão

Carlos Andreazza

(...) A quadra do Império está cheia. É sábado, dia de feijoada. O locutor da escola anuncia a convidada e, cruzando a coroa ao fundo, aparece Leci Brandão, mangueirense histórica, toda de verde e branco porém, e embora o cavaquinho já se tenha apresentado com ganas de partido, ela pede um minuto de pegada mais leve, baixa, e então, reverenciando São Jorge lá no alto, ela, filha de Ossanhe com Ogum, emocionada, séria, honesta, de voz pré-embargada, ainda atrás dos músicos, pede licença aos bambas da Serrinha, aos fundadores que foram Oló, aos baluartes de hoje, às baianas da cidade-alta, aos cabelos-brancos, à ala de compositores, à bateria, só após o quê, sem mínima demagogia, eu sinto, franca e coerente como de seu feitio, começa a cantar “Não me pergunte/Pra que samba eu vou/Porque eu direi/Eu vou pro Império sim, senhor/Sou imperiano/Na alegria e na dor”...

Inútil escrever que terá sido um grande momento. Leci Brandão, para o bem e para o mal d´ela própria, sempre sabe onde pisa. Leci Brandão, a cantora que pede licença, é raríssima.

Outro dia, revirando arquivos de vídeo, dei-me com o desfile de 1987, aquele em que o Império se valeu do Chacrinha para, com esquecida irreverência, falar da comunicação, “Quem não se comunica/Se trumbica/E como fica?/Fica na saudade, fica”...

Ladeando um atônito Fernando Vannucci, os dois comentaristas da Globo, sem mostrar surpresa alguma, lamentavam, repudiavam mesmo, com todas as letras e por longos e ininterruptos minutos, o evidente descasamento entre escola de samba, qualquer uma, e público – e isto, diziam, não porque fizesse o Império um mau desfile, ao contrário, fazia-o belíssimo, emocionante, assim como informavam os setores populares, os das pontas, o 1 e o 13, aos gritos de “campeão”, mas porque os espectadores das arquibancadas centrais, as mais caras e numerosas, simplesmente não entendiam, não davam valor, não se interessavam por aquilo, ou se interessavam de passagem, brevemente, coisa pitoresca, curiosa, e ali estavam como se caídos de pára-quedas, apenas qual parte dum pacote turístico qualquer, do tipo "ir ao Porcão", porque alguém lhes terá dito que seria impossível vir ao Rio e não ver as escolas de samba na avenida.

Os dois comentaristas eram, acredite, Paulinho da Viola – sim, Paulinho da Viola! – e Leci Brandão, e aquele terá sido, é provável, o último instante de liberdade plena numa transmissão de carnaval da Globo. Paulinho nunca mais comentou. Leci, ainda incômoda, foi confinada aos desfiles de São Paulo, lá também onde hoje mora, exilada.

Leci Brandão sempre pagou – e paga – por ter opinião e expressá-la. Tem consciência disso. Há anos, por exemplo, não cantava no Rio. Opinião é hoje, e já era há vinte anos, extremamente anti-comercial. (Isto, claro, fora a do Arnaldo Jabor).

E alguém dirá que não pioramos? (...)

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Durval Ferreira Escrito em 18 de junho de 2007
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Este blog acorda triste com a notícia da morte de Durval Ferreira. Ultimamente, ele vinha se apresentando no J Club, que fica dentro da Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, o que me levou a acreditar que a saúde estava sob controle, apesar do câncer. Hoje, soube que a descoberta da doença só aconteceu no ano passado.

Carioca do bairro de Pilares, Durval é co-autor de clássicos absolutos do nosso cancioneiro, como Estamos aí (com Maurício Einhor e Regina Werneck) e Tristeza de nós dois (com Maurício Einhor e Bebeto), e foi um dos precursores do samba-jazz. Mas bastaria ter composto Chuva, um das músicas que integram o meu cânone particularíssimo, para merecer todos os tributos.

Neste dia outonal de sol, ouçamos Chuva com o Zimbo Trio em homenagem a ele. Acesse aqui.

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A estréia da Victoria Escrito em 15 de junho de 2007
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Amanhã, a partir das 19h, vai rolar o lançamento de Renée esfacelada, o livro de estréia da amiga Victoria Saramago. Já li alguns textos dela e posso garantir que se trata de uma autora com pegada realmente literária, o que anda raro por aqui. No romance, Victoria narra a história de uma mulher que, após atingir o estrelato como cantora mirim, acaba ficando literalmente cega em meio a uma vida de imagens e alienações.

O lançamento acontecerá no Centro Cultural Maurice Valansi (Rua Martins Ferreira, 48 - Botafogo) e contará com a participação dos poetas Diana de Hollanda, Pablo Araújo e Thiago Pontes de Mello, apresentação em voz e piano de Beto Serrador e show da banda Subterrâneos. A Victoria avisa, porém, que o Centro Cultural cobrará R$ 15 de couvert de quem quiser ficar por lá após às 22h.

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"Transportar com cuidado" Escrito em 14 de junho de 2007
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João Pereira Coutinho

"O coração é elástico quando somos adolescentes e estúpidos. Esvazio a casa em plena mudança. E encontro, perdidas em gavetas, fotografias e cartas e vestígios de areia que ficaram de verões passados. Amores de um mês, conhecimentos de praia que foram como vieram, mesmo quando nesse tempo tudo parecia eterno e as promessas tinham o peso das declarações definitivas. Eu nunca vou te esquecer, diziam os dois. Despediam-se, choravam, havia uma orquestra imaginária que descia dos céus. As ondas imolavam-se contra as rochas, como num filme de Hitchcock.

Nas semanas seguintes, as cartas trocavam-se com uma urgência só concedida aos amantes nas óperas clássicas. Combinavam-se prazos. Memorizavam-se estações ferroviárias, como nos filmes franceses tão cheios de tristeza e neblina. "Eu estarei lá." Mas a vida intrometia-se entretanto, o outono chegava para arrefecer os corpos e havia cartas mais esparsas -uma por semana, uma por mês- até só restar silêncio e memória e mais nada.

Ficaram fotografias. Que será feito dessa garota de Birmingham, que conheci no sul de Portugal, e com que me via de fraque e cartola a subir ao altar? Tinha o mais belo nome que uma criatura pode ter (Dawn, "madrugada") e as cartas, dela, alternando na cor (rosa, azul, verde) e polvilhadas por estrelas brilhantes que se colavam ao papel como maquiagem nas faces de uma corista, prometiam tudo e exigiam tudo. O mesmo para uma belga, que conheci em circunstâncias semelhantes e que em circunstâncias semelhantes fui esquecendo, ou por quem fui esquecido.

Imagino-as casadas, hoje, e na limpeza sazonal da casa, talvez na fase do divórcio, uma delas encontrará a fotografia perdida de um adolescente português. Alguém perguntará quem é o personagem do retrato. Elas dirão que não sabem, ou não se lembram. E sorrirão por dentro, como normalmente sorrimos com um segredo, ou uma piada privada.

O coração é elástico quando somos adolescentes e estúpidos. Morremos várias vezes, ressuscitamos várias vezes. Usamos e abusamos desse músculo que bate apressadamente no peito como um tambor festivo porque acreditamos que a festa é móvel, como na Paris de Hemingway, um carrossel que não pára nunca, e que cada tristeza será redimida por uma nova alegria triste.

Mas envelhecemos. O coração bate mais devagar. As ondas não rebentam contra as rochas ao som da orquestra: são agora espuma lenta e cansada, como nós, e apenas se exaltam com a regularidade cósmica de um ciclo lunar. Arrumo tudo numa caixa e pergunto se vale a pena. Sim, se vale a pena levar o passado comigo e arrumá-lo num sótão, que será um dia revolvido por filhos ou netos. Não vale a pena.

Mas então o homem das mudanças entra em casa e avisa que o carro está à espera. E pergunta se a última caixa é para levar. O coração só é elástico quando somos adolescentes e estúpidos. Sorrindo por dentro, como sorrimos com um segredo, ou uma piada privada, digo que sim, que é para levar. Mas aviso: transporte com cuidado, por favor. Nada é mais frágil do que o passado".

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Há muito uma crônica não me comovia tanto quanto esta, do João Pereira Coutinho, publicada na Ilustrada (Folha de S. Paulo) de ontem. Tenho notado que os espaços dedicados à crônica em nossos jornais cada vez mais abrigam textos de opinião, e rareiam relatos lancinantes e encantadores como o publicado acima - amálgamas de vida real e ficção, que esgarçam as fronteira entre ambas e tocam no que é humano, demasiadamente humano.

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A sabedoria de Ariano Escrito em 12 de junho de 2007
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Na terça passada, participei da mesa de abertura do seminário Diálogos, promovido pelo pessoal do Teatro de Anônimo. A proposta era debater a cidade como território de pertencimento e suas relações com a cultura brasileira - mais especificamente a que é feita no âmbito do Rio de Janeiro. A pedido dos organizadores, concentrei-me sobre o viés literário, que já nos deu feras como Marques Rebello, João do Rio, João Antônio, Rubem Fonseca e Carlinhos da Oliveira, apenas para citar alguns.

Na ocasião, observei que o Rio vem, na verdade, desaparecendo progressivamente da nossa literatura. Não sei se devido a uma ânsia ‘primeiromundista’ de muitos de meus colegas autores em soar 'universal' apagando o que é peculiar (já tive tal ânsia: meu Memória dos barcos não tem marcas locais), o fato é que a cidade que surge nas páginas escritas atualmente é sempre e cada vez mais a mesma cidade. Como dizia um antigo e querido professor, só muda o nome da placa no aeroporto.

Definitivamente, parece ter saído de moda a célebre máxima de Tolstói, assinalando que, para ser universal, deve-se sobretudo falar de sua aldeia. Dia desses um amigo jornalista chegou a argumentar que "não existe literatura brasileira". E não me venham com papo furado de que a globalização tornou todos os lugares iguais. Embora o caminho infelizmente pareça ser este, ainda existem as tais singularidades. E, como escritor, são justamente esses traços absolutamente próprios de um espaço geográfico (e cultural) que me interessam. A literatura do mesmo, que não busca o vigor na alteridade, acaba soando como pastiche em algum momento. Creio que este momento chegou.

Por isso foi tão alvissareiro ler a entrevista de mestre Ariano Suassuna, publicada ontem no Caderno B (Jornal do Brasil). Afirma ele: “À medida que a economia e a política caminham para a globalização, se a gente deixar, vai acontecer com a cultura o contrário da universalidade, que é a uniformização. Por isso me chamam de nacionalista estreito. Mas eu acho que as culturas se estendem fraternalmente as mãos. Não tenho nenhuma dificuldade em me entender com Gogol, Dostoievski, Tosltói ou Molière – e espero que a recíproca seja verdadeira! O ser humano é o mesmo em qualquer lugar. (...) Quando leio um escritor russo, não quero ver um romance que poderia ser passado em Hamburgo ou Nova York. Quero encontrar os problemas contados de acordo com as circunstâncias russas e com o temperamento do escritor. É nessa linha que procuro me situar."

Eu também, Ariano, eu também.

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O Brasil tem um legítimo campeão Escrito em 09 de junho de 2007
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Quando, nas oitavas, o Flu empatou com o Bahia na Fonte Nova, comentei com meu amigo Pedro: seremos campeões da Copa do Brasil. Embora pouca gente acreditasse que o criticado time tricolor fosse deixar para trás o Atlético-PR, eu sentia uma espécie de prenúncio de que desta vez o título seria nosso. E fico feliz de ter confiado, porque foi com base nessa frágil certeza que passei desde então acompanhei as partidas in loco. Mais: carregando o próprio Pedro comigo para o Maracanã.

No dia do jogo final, estava em São Paulo. Assisti ao jogo finalíssimo dentro de um quarto de hotel, acompanhado do Bruno Dorigatti, amigo catarinense que, por ironia do destino, é apaixonado pelo Flu desde pequeno. Depois do sofrimento e do orgulho de ver a equipe jogar com a dignidade que parecia perdida, nos juntamos ao amigo Pedro Marinho e ‘invadimos’ Vila Madalena, devidamente trajados com a incomparavelmente bonita camisa tricolor e levando nas mãos minha bandeira de tantas batalhas.

O país tem, desde a quarta-feira passada, um legítimo campeão. E quem, como eu, acompanhou o calvário do clube, inclusive no inferno da terceira divisão (fui a todos os jogos), sabe o quanto esse título representa. Mais do que uma conquista nacional, como tanto a imprensa vem apregoando, o campeonato foi o símbolo lapidado da volta definitiva do Flu à sua dimensão histórica.

Salve Renato Gaúcho, Alexandre Magrão, Roger e Tiago Silva – o melhor zagueiro do Brasil. Salve Branco, que tantas alegrias nos deu e agora volta a dar. Salve cada jogador e cada torcedor. Como disse o monumental Nelson Rodrigues, um dos tricolores maiúsculos, “a humildade acaba aqui”.

Posto, abaixo, dois vídeos. O primeiro retrata o inesquecível espetáculo que a torcida tricolor fez no Maracanã, no primeiro jogo da final. O segundo mostra a festa dos torcedores valentes que foram a Florianópolis e aguardavam, no aeroporto, a volta para o Rio,

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"Ingresso Rápido" nunca mais Escrito em 05 de junho de 2007
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Acabo de cancelar toda a compra de ingressos para a Flip que fiz através do site Ingresso Rápido. E isso se deveu à absoluta falta de respeito e à visão mesquinha do lucro a qualquer preço que a administração do site credenciado pelo evento revelou hoje.

Em torno de 14h30, acessei a página para conferir o andamento de meu pedido. Lá constava que "aguardava a autorização da operadora" (do cartão de crédito). Pois bem: tentei incluir mais um ingresso, já que a compra ainda não havia sido sistematizada, e entrei em contato com a central telefônica do Ingresso Rápido. Me informaram então que o procedimento seria impossível. E mais: que eu teria que arcar com mais uma taxa de R$ 10 para adquirir o ingresso adicional, que custa R$ 6.

Pouco adiantaram meus argumentos, lembrando que o pedido ainda não fora autorizado e, portanto, era perfeitamente possível fazer a inclusão. Diante do absurdo, escrevi uma mensagem através do botão de Contato que o site mantém. Qual não foi minha supresa ao ver que o email voltou, acusando erro. Tentei novamente, e mais uma vez a reclamação caiu em minha caixa postal. Por telefone (terceira ligação), me passaram um novo endereço eletrônico, que, acreditem!, também devolveu minha mensagem. Foi quando resolvi que não devo compactuar com essas empresas que nos tratam como gado, sobretudo quando a demanda pelo produto ou serviço é grande, e cancelar tudo.

Minha Flip, decididamente, vai ser fora das tendas. Mas comprar no Ingresso Rápido nunca mais.

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Ruas do Rio: territórios de pertencimento Escrito em 05 de junho de 2007
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Só para lembrar: hoje, às 20h, vou participar do painel As ruas do Rio de Janeiro: territórios de pertencimento, parte do seminário Diálogos, que marca os 20 anos do Teatro de Anônimo. Ao meu lado estarão o diretor Amir Haddad, do grupo Tá na Rua, e o professor André Bueno, do curso de Ciências da Literatura da UFRJ. O debate acontecerá na Casa Mercado 45 (na Rua do Mercado, próximo ao Centro Cultural dos Correios), com entrada gratuita.

P.S. Amanhã cedíssimo sigo para São Paulo, onde assistirei às palestras do Encontros de Interrogação. Na medida do possível, pretendo refletir as discussões aqui.

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Tribuna de junho Escrito em 05 de junho de 2007
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Já está no ar a Tribuna do Advogado deste mês. Entre os destaques da edição de junho estão a matéria das páginas centrais, sobre a polêmica em torno do recolhimento da biografia de Roberto Carlos, e a entrevista que fiz com Amilton Bueno de Carvalho, um dos precursores no Brasil do chamado 'direito alternativo'. Os integrantes do movimento defendem a não-neutralidade dos juízes, argumentando que o contexto social deve, sim, ser considerado no momento em que se julga uma causa. Leia essas e outras reportagens aqui.

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O braço direito do Beto Sem Braço Escrito em 04 de junho de 2007
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Nos vídeos abaixo, dois pequenos registros de mestre Aluízio Machado - autor de sambas clássicos da Império, como Bum bum paticumbum prugurundum - durante o show de sexta passada na quadra da escola. No primeiro, ele dança enquanto Monarco e a Velha Guarda imperial, da qual faz parte, cantam Aquarela brasileira. No segundo, interpreta a contundente A humanidade, uma das pérolas de sua lavra. A apresentação dos baluartes da Serrinha ao lado de Monarco e do grupo Galocantô foi inesquecível.


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Crônica de uma morte anunciada Escrito em 04 de junho de 2007
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"A boa e a má notícias são, por vezes, uma só: o NoMínimo completa cinco anos no ar neste domingo, 3 de junho, e seu conteúdo pode deixar de ser renovado no final do mês" é o que anuncia o editorial publicado ontem no referencial site.

Não dá para negar que, se compararmos com o conteúdo de algum tempo atrás, a qualidade do NoMínimo caiu muito. Mas é também verdade que, apesar disso, a página continuava a ser uma mais interessantes e inteligentes da internet brasileira. De minha parte - como um dos 150 mil assinantes e responsável por considerável parcela da média mensal de 3 milhões de pageviews -, espero sinceramente que consigam novo patrocinador e sigam em frente. Vida que segue.

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Velha Guarda do Império recebe Monarco Escrito em 01 de junho de 2007
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Há cerca de um mês, o amigo Zé Luís me ligou pedindo uma força para o evento que ele planejava organizar. A idéia era movimentar novamente a quadra do Império, já que o pessoal da escola andava meio desanimado depois do resultado desastroso do último carnaval, e oferecer uma boa opção de programa para os moradores de Madureira, Osvaldo Cruz e bairros próximos.

O Zé pensava em fazer uma série de shows - sempre na primeira sexta-feira do mês e com ingressos bem em conta -, na qual a Velha Guarda imperial (minhas reverências) receberia gente do samba. Pois bem: o projeto amadureceu e o resultado disso poderá ser visto na noite de hoje, quando os baluartes da Serrinha se apresentarão ao lado do grande portelense Monarco e da garotada do grupo Galocantô. No repertório, estarão sambas de enredo e de terreiro do Império e da Portela, além de clássicos de bambas como Nelson Cavaquinho, Roberto Ribeiro e João Nogueira, entre outros.

Como vocês podem notar, trata-se de programa imperdível. E barato: custa apenas R$ 5 para os homens, e nada para as moças. O show será aberto pelas Meninas da Serrinha e está marcado para às 20h.

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