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O suicídio como notícia Escrito em 31 de maio de 2007
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O Portal Literal colocou no ar hoje minha resenha sobre o livro Morreu na contramão - o suicídio como notícia, de Arthur Dapieve. Publico, abaixo, o trecho inicial do texto. Confira a íntegra aqui.

No dia 5 de abril de 1994, recém-saído de uma clínica de desintoxicação, o líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain, disparou um tiro fatal contra a própria cabeça. Em 11 de setembro de 2001, pouco mais de uma dezena de jovens sacrificaram conscientemente as próprias vidas em nome do jihad, ao executar o atentado terrorista que atingiu símbolos do poder norte-americano. Quase 300 anos antes, a 18 de abril de 1732, um pacato casal de classe média – Richard e Bridget Smith – enforcava-se em Londres, sob a pressão de um manancial de dívidas.

Os casos relatados acima – cuja disparidade só encontra interseção no aspecto voluntário das mortes – ilustram os três modelos isolados por Émile Durkhein para categorizar o suicídio conforme a relação entre aquele que se mata e a sociedade. No suicídio egoísta, os elementos motivadores seriam a falta de integração com seus pares e a inexistência aparente de razões para se tocar a vida em frente. No altruísta, por oposto, as fortíssimas conexões entre indivíduo e meio social acabariam por determinar a opção pelo fim. Já o suicida anômico agiria movido por uma desestabilização repentina, mas capaz de desequilibrar seu lugar na coletividade. A categorização proposta pelo sociólogo no século XIX é retomada por Arthur Dapieve em Morreu na contramão – O suicídio como notícia (Jorge Zahar). Baseado em sua dissertação de mestrado em Comunicação na PUC-Rio, o livro se inspira na tipologia desenhada por Durkhein para teorizar sobre a morte voluntária e, na seqüência, investigar como é tratada na imprensa brasileira. Em geral, conclui Dapieve, entre o completo silêncio e uma nuvem de eufemismos.(...)

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