
O filme é bom, bem interessante mesmo, e me despertou a vontade de ler o livro que o originou. Há ótimas tiradas, o roteiro é enxuto na medida certa e a direção de arte, um primor. Além disso, as interpretações de Selton Mello, como o protagonista escroto e amoral, e de Lorenço Mutarelli (autor do romance), como seu segurança, são realmente de impressionar. Mas algo me perturbou em O cheiro do ralo.
Talvez tenha sido o fato de o filme repetir o cacoete que é uma tendência entre nossos diretores mais jovens, muitos deles altamente qualificados: mimetizar o clima "descolado" do cinema independente norte-americano. Repete-se, aqui, algo que começou a acontecer lá nos EUA já há alguns anos: a necessidade de dar um verniz "muderno" às imagens acaba diluindo histórias a princípio engenhosas.
Em O cheiro do ralo, felizmente isso não chega a acontecer. Mas realmente me incomodaram certas firulas que tentam chancelá-lo com um jeitão 'indie', como se a esquisitice do personagem principal - e daqueles que o cercam - não bastassem por si só. Essa hiper-estilização, em geral, costuma esconder falta de substância. Não é o caso, repito. No entanto, ao se valer dela, o diretor Heitor Dhalia parece querer sugerir uma profundidade que o filme não tem - e da qual pode prescindir para ser bacana.
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