
O amigo Gustavo de Almeida, repórter especial do Jornal do Brasil, deixou um longo comentário sobre o texto abaixo, que, pela relevância, resolvi transformar em novo post. Com a palavra, o Gustavo:
"Com todo o respeito, acho incrível como as pessoas costumam associar errosdo JB à decadência ou à falta de profissionalismo. No site Comunique-se, por exemplo, parece haver uma festa a cada vez que acontece algo do gênero. Mas se recusaram a publicar uma linha sequer sobre o prêmio internacional que ganhamos em 2005, do Unicef seguido pelo prêmio nacional pela mesma matéria em 2006.
Alguém atacou ou xingou os profissionais do Globo quando publicaram a foto do Brizola ao lado de um líder comunitário dizendo que o cara era traficante? Não. Na época, só se atacou o Roberto Marinho, etc. E os profissionais de O Dia? São canalhas? Todos? Por causa daquela foto da família cheirando pó em cima da Bíblia?
O deslize não foi por falta de ética, e sim porque a foto - que não é de divulgação ou de alguém do filme - estava de fato, numa comunidade que exaltava o Comando Vermelho. Sim, o cara pode ter pego em qualquer lugar a foto, mas será que a produção não saberia informar quando foi feita e por quem? Não souberam informar. Do mesmo jeito que pediram permissão ao Mineiro da Cidade Alta para filmar lá o Cidade de Deus, pode ter sido feita por um criminoso, sim, ora. E colocada na comunidade.
Foi um erro checar, mas acho incrível que os profissionais de lá sejam atacados da forma que são por colegas de profissão. Não sabem o esforço que a gente faz, as condições em que a gente trabalha. Muitos dos que aproveitam o momento ruim para nos atacar volta e meia nos ligam cavando notas, pautas, matérias, muito bem instalados em suas assessorias.
Jornais erram, acertam, mas às vezes parece que o erro do JB agrada mais, as pessoas de fora torcem contra a gente, é impressionante. Querem fazer deste caso uma nova Escola Base, e não se compara. Até porque, se pegarmos o arquivo do noticiário, vamos encontrar alguns atores de Cidade de Deus em situação de crime ou de consumo de drogas - e nem por isso fizemos estardalhaço nas ocasiões, o que prova que nunca tivemos a intenção de atacar esse trabalho do Nós do Morro.
Eu trabalho no JB e continuo tendo orgulho disso. Dou meu sangue, trabalho mais de 10 horas por dia, para fazer um jornal melhor. Se erramos, vamos seguir em frente. Não faço parte de turminhas que oferecem emprego uns para os outros, dependo do meu próprio esforço. Não vou arrumar emprego no Comunique-se depois."
{5}