
Sobre Baixio das bestas, alias, recomendo fortemente (ainda que com agumas ressalvas) o pequeno texto publicado na edição deste mês da revista Piauí. Aliás, foi a primeira vez, desde o lançamento, que uma edição da revista me encantou. É claro que, de suas páginas, continua a escorrer certo pedantismo intelectual e muderno, mas no número de maio há várias bolas dentro, com destaque para a matéria sobre Aracy de Almeida, assinada por Alexandre Barbosa de Souza e Leonardo Silva Prado (e ilustrada por carticatura - maginífica, como sempre - do amigo Loredano). Posto, abaixo, um trecho da reportagem, em que os jornalistas contam sobre o primeiro encontro entre a cantora e Noel Rosa. Leia a íntegra aqui.
"(...) É a própria Aracy quem conta seu primeiro encontro e sua relação com Noel: “Quando fui cantar no rádio pela primeira vez, levada por Custódio Mesquita, ao passar na varanda da Educadora, vi Noel. Estava sentado e ali continuou. Não deu bola nenhuma pra mim. Quando terminei de cantar ao microfone ele se aproximou: ‘Gostei muito, você cantou muito bem. De onde você é?’ Fizemos logo uma boa camaradagem. Esperei que ele também cantasse pra não sair da boca. Quando terminou foi logo convidando: ‘Vamos até a Taberna da Glória tomar umas cascatinhas?’ Fui. Lá encontramos com uns amigos dele, uns malandros chapados. Ficamos lá até tarde. Noel então me trouxe em casa em um ônibus da Viação Brasil. Já eram mais de 4 horas da manhã quando chegamos ao Engenho de Dentro. Viemos a pé até o Encantado. Bateu na porta de casa e, quando mamãe abriu, ele falou: ‘Vim trazer sua filha aqui’. Apresentei: ‘Este é o Noel Rosa’. Nesta noite, ele marcou um ensaio para me dar algumas músicas. No dia seguinte, fui à casa de Noel. E daí em diante passei a conhecer com ele os piores lugares do Rio de Janeiro. No rádio, havia gente que franzia o nariz diante de nós. Éramos tidos como gente que não prestava. Noel não tinha então muito cartaz. Me lembro dele, um dia, vestindo uma capa minha, botando um chapéu meu e rebolando pela rua, implicando com todo mundo. Íamos sempre comer sardinhas na Lapa ou então seguíamos para um boteco na rua Comandante Mau¬rity onde fazíamos chacrinha: eu, Noel, Baiaco, Germano Augusto, Kid Pepe, Brancura, Ismael Silva, Orestes Barbosa, Sílvio Caldas. Mas vamos botar as cartas na mesa: entre mim e Noel nunca houve coisa nenhuma. (...) "
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