
Foram muito bacanas as discussões (e os papos pós-debate no bar) da primeira edição do Colóquio Literatura / Rumos Itaú Cultural no Rio. Calouríssimo, claro que me enrolei todo na hora de falar ao lado de dois bambas das letras, como a Beatriz Resende (que afirmou que " a crítica acadêmica não existe") e o Flavio Carneiro, professor que sempre encanta ao se expressar em público. Definitivamente, minha praia é a palavra escrita.
Sem muita sistematização, comentei sobre o duplo ofício de escritor e resenhista e sobre o trabalho dos suplementos literários, com alguns elogios e críticas sobretudo ao fato de cada vez mais se adequarem à lógica do jornalismo em geral, solapando a imaginação em nome do "gancho". Também revelei o quanto foi importante para meu trabalho literário a resenha que, logo após lançar meu livro anterior (Memória dos barcos), o Flavio Carneiro escreveu no Jornal do Brasil. Em meio a elogios, ele observara no texto que havia em meus contos uma tendência a deixar a voz do autor aflorar - o que é uma das coisas que mais me irrita como leitor. Procurei com o tempo consertar isso, lembrando que este talvez seja o papel mais relevante de uma análise crítica: servir de reflexão para quem foi responsável pela obra.
Agradeço em público à Paula Barcellos (curadora do colóquio e medidora da mesa da qual participei) pelo convite. A torcida agora é que o evento se repita aqui na cidade mais vezes, dando novas opoprtunidades de ouvir gente como Moacyr Scliar, Miguel Sanches Neto, Alberto Mussa, Humberto Werneck, Ruy Castro e acadêmicos de primeiríssimo time, como o professor Lourival Holanda, que fez uma palestra absolutamente encantadora. Quem não foi, perdeu.
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