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Murilo Rubião Escrito em 11 de abril de 2007
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Estou realmente impressionado com a literatura de Murilo Rubião. Já havia lido dois ou três textos da lavra do escritor mineiro, mas nesta semana devorei (em dois dias) O pirotécnico Zacarias, lançado pela Companhia das Letras. O volume traz dois breves estudos sobre a obra de Rubião, além de uma cronologia, mas a riqueza maior está mesmo nos contos, marcadamente fantásticos - o que evidencia que, em pleno florescer desse tipo de literatura na América Latina, os anos 40, tínhamos um digníssimo representante.

O conto que dá título ao livro é uma pequena obra-prima. Zacarias é um narrador-defunto, assim como o Brás Cubas de Machado de Assis, que simplesmente insiste em transitar entre os vivos, certo de que "sua capacidade de amar, de discernir as coisas", é bem superior à dos seres que por ele passam, "assustados". O ex-mágico da Tabera Minhota é outra pérola. O protagonista de uma hora para a outra se vê investido de poderes mágicos, acionados sem que ele mesmo possa controlar. A situação se agrava quando os efeitos desse inexplicado fenômeno começam a prejudicá-lo perante as autoridades. Desesperado, tenta o suicídio reiteradamente, mas as mágicas sempre o salvam. Ele então ouve na rua um infeliz homem dizer que "ser funcionário público era suicidar-se aos poucos". A frase que lhe dá "nova esperança de romper em definitivo com a vida" e ele se emprega nuam Secretaria de Estado.

O sarcasmo machadiano de Rubião volta-se também contra a burocracia, como desmonstram os contos O edifício (que conta a história da construção de um prédio que já não tem razão de ser e ainda assim nunca se acaba) e A fila (sobre as desventuras de Pererico, que passa longuíssimo tempo numa cidade estranha, aguardando numa fila na vã esperança de falar com o gerente da Companhia).

Essas narrativas são curtas e precisas, fruto de muito trabalho do autor, conhecido pelo perfeccionismo como que reescrevia cada texto. Em pocuo mais de 70 anos de vida, Rubião publicou apenas sete livros. A boa notícia é que, com O pirotécnico Zacarias, A casa do girassol vermelho e O homem do boné cinzento (as outras duas seletas editadas pela Companhia das Letras) - toda a produção do autor está agora disponível no mercado.

P.S. Sobre Rubião, aliás, o amigo Miguel Conde escreveu bela resenha/matéria em edição do Prosa & Verso no ano passado...

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