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Relações perigosas Escrito em 17 de abril de 2007
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Novamente, o amigo Carlos Andreazza acerta a mão em seu artigo no site Tribuneiros. Desta vez, suas corretíssimas críticas voltam-se para as relações perigosas entre a Prefeitura e a Liesa, sempre denunciadas aqui no Pentimento. O impecável texto do Andreazza é duro como o assunto pede. Posto, abaixo, dois pequenos trechos, mas recomendo a leitura na íntegra, que pode ser feita aqui.

"(...) A prefeitura do Rio de Janeiro entregou a organização do carnaval para uma entidade comandada por tipos fora-da-lei, sem meias-palavras, uma quadrilha, estão sob risco e de credibilidade já enlameada, muito além da validade pontual do desfile de 2007, os carnavais que passaram, bem como, nesta toada, os que virão – e lesados deverão se sentir todos: escolas que não vivem de recursos abandidados, empresas patrocinadoras, emissoras de rádio e tevê, a imprensa de modo geral, e cidadãos que compraram ingressos para uma disputa que, meses depois, aventa-se ficcional. (E bastava um pouco de responsabilidade pública)...

(...) Tempos antes do carnaval já pululavam boatos d´alcova segundo os quais, estava decidido, rebaixado seria o Império Serrano. Sem entrar na questão estritamente carnavalesca, esta de que o Império de fato não desfilou bem, quando o que quer que seja é organizado por mafiosos cujos tentáculos abarcam até desembargadores federais, fica fácil imaginar um encontro esfumaçado em que chefes contraventores, numa mesa de mogno imensa, sob meia-luz, decidem o que se vai dar meses e meses adiante.(...)"

"(...) A imprensa carnavalesca e os sambistas de modo geral também têm responsabilidade na legitimação dos bicheiros. É raro – raríssimo – encontrar jornalistas que critiquem, mesmo que apenas no plano da administração, o trabalho da Liesa, transparente como a parede maciça diante da qual escrevo.

Dependentes de pautas, de informações em primeira-mão, de credenciais e de convites para eventos, condescendentes e não menos preguiçosos, tratam esses bandidos como parceiros e, é incrível, até como benfeitores do carnaval, do qual na verdade se valem tão-só por lavanderia de dinheiro sujo. (...)"

"(...) Passa ano, vem ano, e eu experimento no carnaval aquele tipo de constrangimento tomado do outro, cuja cara-de-pau o impermeabiliza de qualquer bom-senso: Zeca Pagodinho, o grande sambista!, Boni, a velha cara da velha Globo, Julio Lopes, secretário estadual de Transportes, Rodrigo Maia, deputado federal e presidente do DEM, amigos e parentes do prefeito-virtual etc., tipos recorrentes do oba-oba momesco, todos a circular livremente pela avenida, abraçados a bandidos, felizes da vida ganha, sempre sob a lógica de privatizar os espaços públicos... (...)"

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