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Cartola, o filme Escrito em 16 de abril de 2007
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Gosto quando um cineasta se arrisca ao fazer seu filme. Contando com ótimas imagens documentais (pesquisa da Beth Formagini) e com um espetacular protagonista, seria muito simples para Lírio Ferreira e Hilton Lacerda optar por um formato tradicional para narrar a vida de Cartola. Mas eles preferiram outros caminhos. Sem abrir mão de utilizar o rico material reunido, os dois decidiram pontuar o filme com rimas visuais entre as imagens do artista e as imagens da história - o que vem gerando elogios e críticas na mesma proporção.

O resultado dessa tentativa realmente é desigual. Se em alguns momentos o equilíbrio entre as seqüências é perfeito, em outros soa gratuito. No primeiro caso, está a utilização de cenas clássicas da filmografia nacional para localizar o período histórico do que se passa na vida de Cartola.

Referências à chanchada, a São Paulo S.A e a Terra em transe, além de marcos históricos como a eleição de Jânio, a construção de Brasília e a morte de Edson Luís, situam de forma criativa, pelo menos para o espectador mais experimentado, o contexto macro em que se dão os fatos narrados na tela. O problema é que as referências em determinadas passagens se disseminam de modo exagerado, quase que solapando o que deveria ser principal no filme: o protagonista.

No entanto, para além dessa questão, o documentário de Lírio e Lacerda traz imagens de emocionar: Cartola simplesmente caminhando pelo Centro da cidade, cantando ao lado de Elizete Cardoso, Nelson Cavaquinho no Zicartola, Donga e Pixinguinha no programa da Hebe - além, é claro, de excelentes depoimentos e das singularíssimas canção do poeta da Mangueira.

Chamo atenção para a deliciosa entrevista do produtor Pelão, responsável pelo primeiro disco lançados em vida por Cartola. Pelão lembra de que passou uma madrugada fazendo o circuito dos bares paulistanos até que encontrou Aluísio Falcão no Jogral. “Eu já estava como o diabo gosta”, diz Pelão, que se ajoelhou aos pés de Falcão, suplicando para produzir o LP de Cartola.

É o mesmo Pelão quem revela a decepção de Marcus Pereira ao ouvir, em primeira mão, o disco. “Ele reclamou de uns latidos de cachorro na gravação”, conta o produtor. Os latidos eram, na verdade, do som da cuíca de Marçal.

* Uma interessante discussão sobre o filme, que passa inclusive pela questão do jogo de imagens proposto pelos diretores, foi travada entre os amigos Carlos Alberto Mattos e Marcelo Janot no site Críticos.com. Vale conferir.

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