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Texto de Lilian Hellman
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Recesso Escrito em 01 de julho de 2008
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Este blog entra em recesso a partir de amanhã por conta da Flip. Volto na semana que vem.

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Flores do Clube Escrito em 01 de julho de 2008
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O texto abaixo, assinado pelo Mário Marques, foi publicado hoje no Caderno B (Jornal do Brasil). Os grifos em negrito são meus - e servem apenas para subscrever a perplexidade do crítico, que também é minha. O seminal Clube da Esquina não merecia isso.

"Flores e cravos"

Mário Marques

"A imagem é a seguinte: eu e minha irmã de braços dados acima da cabeça, para lá e para cá, assistindo à execução de Cais no meio de um tanto de gente espalhada no Maracanãnzinho. Na semana anterior, meu pai e a própria me pediram, me suplicaram para que eu a acompanhasse na celebração de 20 anos de carreira de Milton Nascimento. Logo eu, o maluquinho do quarto ao lado que combatia o TOC familiar, materializado numa vitrola de som pior do que o da minha em que habitavam, repetidamente, discos do Bituca e do Elvis Presley. Era uma briga de volume em que The number of the beasr humilhava Fé cega, faca amolada. Pois meu pai e a minha irmã TOC me encheram tanto as bolas e pronto: tal qual uma marionete, estava lá eu cantando com minha irmã (mais velha três anos) as músicas de Milton Nascimento. Foi assim que descobri, à força, o Clube da Esquina naquele 1984 (minha memória patética confirma a data desse show?). Agora relido nesse inacreditável Flores do Clube, lançado pela EMI para celebrar... 36 anos do primeiro disco da talentosa turma de Minas.

Sem a salvação da Geração Google, a internet, entrei numa loja semanas depois e tratei de levar para casa os discos aos quais o atendente me indicara, os de Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini e, obviamente, Milton Nascimento. Também passei a me interessar pelos instrumentistas mineiros, os Marcos (Marcus Viana e Marco Antonio Araujo, este morto de overdose nos anos 80), Toninho Horta e pelos letristas que acompanhavam as canções, de Ronaldo Bastos a Fernando Brant. Na música, ecos de Yes, rock progressivo, Beatles, delays, reverbs, convenções roqueiras. O som, embora talhado dessas influências, era rural, originalíssimo. Ninguém consegue me convencer do contrário em relação à minha tese alucinada de que Fool‘s overture (RickDavies/Roger Hodgson), a belíssima suíte do álbum Even in the quietest moments... (1977), do injustiçado Supertramp, foi construída a partir de Um girassol da cor do seu cabelo (Lô Borges/Marcio Borges), do Clube da Esquina (1972), tantas eram as características comuns dos arranjos, abertura com piano e voz e B com instrumentação crescente e arrebatadora, também guiada pelo piano. Passei a deixar de lado por meses o Iron Maiden para tentar entender aquele som. Tanta era minha loucura que pegaria o ônibus direto para a Belo Horizonte de Braulio Lorentz (o nosso indie que se recusa a aplaudir o Clube e prefere o Monno) para ver Lô Borges e o Sagrado Coração da Terra de Marcus Viana. Num show perto de minha casa, chegara a oferecer o telefone a Lô e Viana para que ligassem para suas famílias e tomassem água. Copos esses separados por meses para mostrar, "debiloidemente", aos amigos. Passados 24 anos, depois de ouvir outros tantos tributos, de subir Mauá num dia de inverno da década de 90 para a casa de Márcio Borges e ouvir as histórias do Clube pela ótica de Milton e Lô, aqui estamos diante deste catatônico Flores do Clube da EMI.

Bem, estou há várias linhas adiando o que sinceramente acho desse tributo feito por 12 cantoras ao Clube da Esquina. Faço isso porque, como já me disseram recentemente, costumo escrever críticas com o fígado, este já combalido por hepatite e vinhos. Meu desejo real, ou "sonho real", como cantou Lô (e Gal Costa), era que a coluna acabasse aqui. Para não ter que registrar que a coletânea da EMI é bisonha, aterradora, um acinte, um motivo para vômito súbito. Primeiro porque, tal qual as Casas de Samba, Casas da Bossa, tributos e homenagens esquecíveis do canal Multishow e obscurecidos projetos de celebração no Circo Voador, o Flores do Clube é um ajuntamento, um rescaldo do pior da música popular brasileira, seja qual for a definição disso hoje.

Para começar, adivinhem quem abre o Flores do Clube? Tá aí: este é mais um momento em que gostaria muito de olhar para o canto inferior da tela e ver o número 0, como se a coluna tivesse acabado já. Mas tudo bem, vamos lá: quem mais a não ser Ivete Sangalo, essa pessoa extremamente não-identificada com a sonoridade mineira. Ivete, onipresente em discos-tributo e, imagino, na primeira fileira do Prêmio Multishow, hoje, no Municipal, canta Cravo e canela. Canta daquele jeito, né? Como se estivesse regendo uma micareta com micareteiros atrás. Aliás, duvido que não ponha canção no repertório do próximo carnaval baiano. Depois vem Roberta Sá, a cantora que, amigos dizem, e vez ou outra concordo, é das melhores vozes brasileiras. Mas Roberta abaiana-se também. Taca um berimbau na abertura para interpretar Tudo o que você podia ser, de combustível percussivo à la Pedro Luís. Um girassol da cor do seu cabelo, a Fool’s overture, lembra?, cai na voz pequena e sem cor de Vanessa da Mata, com piano de João Donato, de sotaque estrangeiro. Paisagem da janela, burocrática, pasteuriza-se com Luiza Possi. O trem azul é empurrado ladeira abaixo por Marjorie Estiano, que não acrescenta muita coisa. E Shirle de Moraes, aquela cantora do Fama, sertanejeia San Vicente. Ainda estão no disco Fernanda Takai (Um gosto de sol), Marina Machado (Nuvem cigana), Marina de la Riva (Dos cruces), Teresa Cristina e Seu Jorge (Seu Jorge? Não eram flores do clube?), em Me deixa em paz, Mariana Baltar (em Cais, que, enfim, me trouxe até aqui indiretamente) e, por incrível que pareça, a melhor versão do CD, a de Meg Stock (ex-promessa do pop-rock nacional), com Nada será como antes, mais rascante, mantendo a armadura roqueira e transgredindo sem agredir a versão original.

Sinceramente seria o caso de perguntar, incisivamente, a quem interessar possa, por que e para que lançar um tributo desses nas lojas de discos brasileiras. Mas dessa vez, agradeço aos céus, sem mais delongas e comentários, a coluna realmente acabou."

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Cultura negra, música brasileira Escrito em 30 de junho de 2008
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Centro Cultural José Bonifácio: pérola arquitetônica da Gamboa

Já estão abertas as inscrições abertas para o curso Aspectos da cultura negro-africana na música brasileira, que acontecerá a partir do dia 7 de julho no Centro Cultural Municipal José Bonifácio. As aulas - gratuitas - serão ministradas por Leonardo Sá, pianista, compositor, professor da Fundação Getúlio Vargas e da Escola de Música Villa-Lobos, além de coordenador educacional da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.

Sá propõe uma reflexão sobre as características da expressão musical brasileira de origem negro-africana a partir da observação de algumas manifestações presentes no cotidiano do Rio de Janeiro. O programa inclui tópicos como a lógica musical segundo os diferentes sistemas culturais; música e músicas da África e na África; sistemas musicais no Brasil; percepção e imaginação musical negro-afro-brasileiras; parâmetros musicais e paradigmas culturais e exclusão e apropriação na criação artística no Brasil.

As atividades do Centro Cultural José Bonifácio - um espaço que vale a visita só pela beleza de sua arquitetura - incluem ainda uma série sobre os fazeres do carnaval e outros três cursos: Arte, África e Brasil, com Roberto Conduru; Literatura afro-brasileira, com Fernanda Felisberto; e Culto à Ifá, com o babalaô nigeriano Afixe. Informações pelo telefone 2233-7754

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Sexo e vinho na cidade Escrito em 30 de junho de 2008
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O amigo Marcelo Copello – enólogo que, justamente por entender do riscado, não guarda nenhum tique ‘enochato’ – acaba de abrir um espaço exclusivamente voltado à cultura do vinho. Localizada no Flamengo, a Escola Mar de Vinho será a partir de agora a sede de suas palestras, além de palco de degustações e eventos especiais, como o que acontecerá na próxima quinta.

Refiro-me a Degustando ‘Sex in the city’ com Marcelo Copello, encontro no qual o enólogo tentará associar diferentes vinhos às personalidades das quatro personagens do filme: Charlotte, Miranda, Samantha e Carrie. O evento contará com a participação e os comentários da crítica de cinema Raphaela Ximenes e com a exibição de cenas da série que deu origem ao longa-metragem.

A degustação vai incluir um espumante, quatro vinhos e, como ninguém é de ferro, um prato 'principal': Risotto al limone e gamberi, que será preparado pela chef Ciça Roxo e harmonizado com o drink Cosmopolitan. Mais informações sobre o evento ou sobre a Escola Mar de Vinho podem ser obtidas pelo telefone 2285-6087.

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30 de junho Escrito em 30 de junho de 2008
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Eu e Flávio ao lado do velho, que aniversariaria hoje

"O corpo a morte leva
A voz some na brisa
A dor sobe pras trevas
O nome a obra imortaliza
A morte benze o espírito
A brisa traz a música
Que na vida é sempre a luz mais forte
Ilumina a gente além da morte (...)"

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Contos japoneses Escrito em 27 de junho de 2008
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Amiga querida e escritora de raro talento, a Adriana Lisboa lança amanhã o livro Contos populares japoneses, que sai pelo selo Rocco Jovens Leitores. O lançamento acontecerá na Livrara Malasartes (Shopping da Gávea), a partir das 16h, e incluirá uma oficina de origami para os interessados nessa tradicional arte do Oriente.

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Suave milagre Escrito em 27 de junho de 2008
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Nelson: que os tricolores vivos, doentes e mortos apareçam

Cada jogo tem sua história - e depende de tantos fatores (acaso, inspiração, sorte) além do esquema tático, que não há como se falar vitória nem derrota de véspera. O Tostão – melhor comentarista de futebol da atualidade – vive afirmando isso. Então, vamos com calma.

Como escrevi aqui ontem, nada nunca foi fácil para o Fluminense. Tomemos os títulos mais recentes. No Estadual de 2005, éramos favoritíssimos contra o apenas bem-armado Volta Redonda. No primeiro jogo da final, perdemos por 4x3, sendo que nosso terceiro tento foi marcado (por Tuta) no apagar das luzes. O gol que viria a nos garantir a conquista, assinalando os 3x1 na partida decisiva, saiu aos 45 minutos do segundo tempo, numa cabeçada esquisita do zagueiro Antonio Carlos.

Na Copa do Brasil do ano passado, mais uma vez o “favoritismo” diante do Figueirense. O jogo inicial foi no Maracanã, e não passamos de um empate em 1x1 – para piorar, o gol fora assegurava aos catarinenses a vantagem do 0x0 em Florianópolis. Lá, na semana seguinte, logo aos 5 minutos abrimos o placar – depois disso, experimentamos mais de uma hora de sofrimento com a natural pressão dos ‘donos da casa’.

Esses episódios vieram se somar a muitos outros, como os Fla x Flus de 1983 (gol de Assis no derradeiro minuto) e de 1995 (a célebre ‘barrigada’ de Renato Gaúcho). Falo apenas do que pude ver com os próprios olhos.

Por tudo isso é que confio plenamente no êxito tricolor na próxima semana. É fundamental que toda a torcida – até aqui um dos destaques desta Libertadores na qual construímos uma história bonita (independentemente de sermos ou não campeões, as vitórias contra o Arsenal (6x0), o São Paulo (3x1) e o Boca Jrs (3x1) estarão para sempre registradas nas melhores estantes da minha memória. – também acredite. Como disse um amigo nitiano, a tristeza, a revolta, a dor (sim, houve dor), a crítica, valem até quarta-feira, sol poente. A partir de então, é virar besta-fera e exigir dos jogadores uma postura de besta-fera – diferente, pois, da apatia demonstrada em Quito. Berrar nossas tradicionais canções, vaiar o adversário, jogar junto. Empurrar o time para o ataque, sem medo. Fazer valer o Maracanã.

Cronista maior, Nelson Rodrigues observou certa vez que, “nas situações de rotina, um `pó-de-arroz' pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas".

Na quarta, além de número, o Flu precisará da esperança que, simbolicamente, o seu verde enseja. Precisará, sobretudo, de valentia.

Que não nos faltem.

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Oficina de contos Escrito em 26 de junho de 2008
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No segundo semestre, vou coordenar uma oficina de contos, em nível avançado, na Estação das Letras. As aulas serão às quintas-feiras, das 19h30 às 21h30. Na oficina, de caráter eminentemente prático, os alunos serão estimulados a criar pequenas narrativas a partir das discussões de aula e de motes específicos, como canções, poemas, notícias de jornal ou outros contos. Os textos serão analisados por mim e, depois, discutidos em sala com os próprios alunos, possibilitando um olhar crítico sobre a produção de cada um. As inscrições podem ser feitas no site da Estação.

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Apontamento Escrito em 26 de junho de 2008
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Nada, nunca, foi fácil para o Fluminense.

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Papo de botequim Escrito em 24 de junho de 2008
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Espero vocês lá amanhã!

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Paes, o tragicômico Escrito em 23 de junho de 2008
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Seria cômico, se não fosse trágico, ver um dos responsáveis pelo caótico sistema de venda de ingressos para jogos de futebol no Rio de Janeiro - o ex-presidente da Suderj Eduardo Paes - apresentar-se como candidato ao nobre posto de administrador da cidade.

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Flávio Moura e a Flip Escrito em 23 de junho de 2008
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Muito boa a entrevista que o curador da Flip, Flávio Moura, concedeu ao blog Prosa On Line. Responsável pela ótima programação deste ano, Flávio fala sobre a preparação da festa, os convidados e a opção por manter a interdisciplinariedade que marcou as últimas edições. Ele rebate também a 'crítica' (ouvi bastante esse comentário) de que faltou um 'grande nome'. Concordo totalmente: o bacana da escalação de 2008 é justamente a qualidade média das mesas.

"É preciso lembrar que esse culto aos 'grandes nomes' embute o risco de fetichismo. Não me agradava a idéia de ficar obcecado por autores de extrema celebridade, mas que já tenham deixado de produzir há tempos o melhor de seu trabalho, apenas para atender a essa expectativa", afirma o curador. Quando indagado sobre a qual mesa mais quer assistir, Flávio espirituosamente responde como programador, e não como leitor, esquivando-se da dividida: "No domingo à noite, à mesa do bar de Paraty em que o chope estiver mais gelado".

Leia a íntegra da enrevista aqui.

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Aracy Escrito em 20 de junho de 2008
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Fico sabendo, através do ótimo blog do amigo e professor Luis Antônio Simas, que hoje se completam exatos 20 anos da morte de Aracy de Almeida. Para quem, como eu e tantos da minha geração, conheceu Aracy na figura caricata da jurada do Show de Calouros, de Sílvio Santos, fazer o percurso temporal contrário e reencontrá-la na jovem cantora de voz rascante e tristonha foi um susto e, ao mesmo tempo, uma imensa alegria.

Um susto, porque parecia haver um fosso entre a jurada mal-humorada ("Vou dar dez mangos!") e a intérprete delicada, que gravou Noel Rosa (sobretudo), Antonio Maria e Assis Valente, entre outros bambas. Uma alegria, pela descoberta de uma artista de registro singular, bonito toda vida, e dotada de uma cadência tão precisa que viria a lhe conferir a alcunha de "o Samba em Pessoa".

Ao som de Três apitos, fica aqui a homenagem do Pentimento.

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Escritores e torcedores Escrito em 19 de junho de 2008
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Quando o Flávio Carneiro me disse que teria uma coluna sobre futebol no Rascunho - jornal voltado exclusivamente a assuntos literários -, confesso ter estranhado. Parecia-me que, malgrado a relevância do velho esporte bretão, tal tema ficaria um tanto deslocado em meio a resenhas de livros e entrevistas com autores.

Engano meu. A coluna, hoje uma das seções mais divertidas do Rascunho, está perfeitamente integrada à publicação. E, na edição deste mês, é um dos pontos mais altos do jornal. Em seu texto, Flávio trata de desfazer a impressão de que escritores são bichos estranhos que passam todas as horas do dia lendo e criando textos, ou exercitando um de seus esportes favoritos: falar mal dos pares.

O colunista - ele próprio torcedor fanático (do Botafogo) - joga luz sobre a relação (normalíssima, muito em razão de sua esquisitice) que os escritores brasileiros mantêm com seus times de coração. Entre os depoimentos colhidos informalmente, estão os de Raimundo Carrero (Sport), José Castello (Fluminense), André de Leones (Goiás), Ivana Arruda Leite (Corínthians) e Milton Hatoum (Flamengo). Peladeiro e freqüentador contumaz do Maracanã, também dei lá meu pitaco.

Publico, abaixo, o início do texto, que pode ser lido na íntegra aqui.

"Torcedores"

Flávio Carneiro

"Certa vez escrevi, num breve ensaio sobre o conto A cartomante, de Machado de Assis, que há pelo menos três tipos de leitor: o que nega, o que afirma e o que desconfia.

Talvez se possa dizer o mesmo do torcedor de futebol. O tipo que nega normalmente aparece quando se trata de torcer pela seleção brasileira. Sim, porque para muitos torcedores há uma diferença abismal entre torcer para um clube e torcer pelo Brasil. Quando se trata do seu clube, há torcedores que vibram até com cobrança de tiro-de-meta. Se, no entanto, diante da televisão está o time de camisa amarela, a emoção só acontece mesmo quando é jogo importante, de Copa do Mundo, ou se for contra a Argentina (aí vale até amistoso). (...)"

Veja por exemplo o caso daquele torcedor que aparece numa crônica do Nelson Rodrigues. O Brasil acabara de ganhar de 5 a 1 do Paraguai e depois do jogo Nelson esbarra com o amigo lúgubre. "Mas que cara de enterro é essa?", pergunta. E o outro responde: "Estou decepcionado com o escrete!"

E Nelson conclui: "A seleção não tem saída. Se vence de cinco, se dá uma lavagem, o torcedor acha que o adversário não presta. Se empata, quem não presta somos nós. Durma-se com um barulho desses!"

Há também o torcedor que afirma sempre. Seu time pode estar uma porcaria, mas ele não admite. E torce ufanisticamente pela seleção brasileira, mesmo que seja em jogo-treino contra os juvenis do São Cristóvão. Esse é incapaz de autocrítica, pelo menos em público. Pode ser que num domingo à noite, a sós com o travesseiro, ele grite um palavrão contido a ferro e fogo durante o dia e mande seu time inteiro para o inferno! Mas com os amigos, na conversa de segunda-feira, ele volta ao normal (...)"

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Botequins mais vagabundos Escrito em 18 de junho de 2008
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Do blog do Juarez Becoza:

"Encontro em livraria debaterá botequim

Caro leitor:

Na próxima quarta-feira, dia 25, dois dos maiores expoentes da luta pela preservação da verdadeira cultura botequeira carioca debaterão o assunto num outro tipo de templo em extinção aqui no Rio: a Livraria Leonardo da Vinci, no centro da cidade.

O compositor Moacyr Luz, de talento indiscutível e boemia inveterada, autor do 'Manual de Sobrevivência nos Botequins Mais Vagabundos', e o jornalista Paulo Thiago de Mello, idealizador do Guia Rio Botequim e pioneiro no estudo do assunto como tema acadêmico, sentarão na mesa para discutir uma das polêmicas mais preocupantes hoje em dia para quem realmente ama o verdadeiro pé-sujo: a proliferação de franquias de pseudo-botequins. Pra quem gosta de azulejo, São Jorge e empada servida dentro do balcão, uma debate imperdível.

O evento faz parte do projeto Encontros no Subsolo, que promove debates mensais na livraria, sob curadoria do jornalista imperiano Marcelo Moutinho.

"Botequins cariocas: identidade na era da franquia": Debate com Moacyr Luz e Paulo Thiago de Mello. Quarta-feira, dia 25, às 18h30, na galeria da Livraria Leonardo da Vinci - Av.Rio Branco, 185, Centro"

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