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Texto de Lilian Hellman
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No Centro Loyola Escrito em 20 de agosto de 2008
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É hoje! Às 19h, estarei no Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio para participar do debate Um olhar sobre a cidade lírica. A mediação será do amigo Henrique Rodrigues, e o Centro Loyola fica na Estrada da Gávea, 1 (final da Rua Marquês de São Vicente). Espero vocês lá.

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Império 2009 - Logo oficial Escrito em 19 de agosto de 2008
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O Império Serrano já lançou a logomarca oficial do carnaval de 2009. Lembro que a escola de Madureira vai reeditar, na Sapucaí, o lindo samba de 1976 (aquele cujos versos cantam: "Mar, misterioso mar / Que vem do horizonte...") e que as inscrições para a Ala dos Devotos estão abertas. Quem estiver interessado em desfilar na ala, repleta de amigos e apaixonados imperianos, pode entrar em contato comigo via e-mail.

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Trapalhões em DVD Escrito em 19 de agosto de 2008
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Ir ao cinema para conferir o novo filme de Os Trapalhões era programa obrigatório a cada período de férias escolares. Lembro-me de que aguardava cada novo título entrar em cartaz com imensa expectativa - e também das horas preguiçosas que passei, em frente à TV, acompanhando as séries especiais que a Globo programava na Sessão da Tarde, veiculando exclusivamente as películas antigas do quarteto.

Pois agora todos os trabalhos da carreira do grupo (além dos solos de Renato Aragão) - de Na onda do Iê-Iê-Iê (1966) a O Trapalhão e a luz azul (1999) - terão lançamento em DVD. Serão, ao todo, 39 títulos, com comercialização separada e preço sugerido de R$ 14,99 (cada). Entre eles, clássicos como O Trapalhão nas minas do Rei Salomão, de 1977, Os saltimbancos Trapalhões, de 1981, e Os Trapalhões no Auto da Compadecida, de 1987.

Filmes que têm gosto de bolinhas de chocolate recheada de crocante - e o cheiro de infância das cadeiras vermelhas do Cine Madureira 1.

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Mais ao sul Escrito em 18 de agosto de 2008
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No sábado, o Prosa & Verso publicou minha resenha sobre Mais ao sul, o segundo trabalho solo de Paloma Vidal. Ressalto aqui a linda capa do livro, o que não pude fazer no texto. Segue a íntegra da resenha:

Unidos pela cartografia afetiva

Protagonistas dos contos de Paloma Vidal circulam por diversas cidades tateando sentidos

Marcelo Moutinho*

Cada cidade contém seu passado, gravado e marcado por arranhões, “nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras”. Ao afirmá-lo, Italo Calvino referia-se ao espaço urbano como um discurso, que emerge da topografia, mas também da memória individual, e encharca a paisagem de valor simbólico. Ao escrever seu segundo livro, a jovem Paloma Vidal parece ter se inspirado nessa espécie de cartografia afetiva. Os protagonistas das histórias reunidas em “Mais ao sul” circulam por cidades como Buenos Aires, Londres, El Paso e Rio de Janeiro, tateando sentidos nos cenários que os cercam e “inventando imagens para lembranças inexistentes”.

Um dos méritos de Paloma, como bem destaca João Gilberto Noll na orelha, é a unidade entre os diferentes contos, que confere um caráter orgânico ao livro. Há um “núcleo de evocação renitente, fosca, inspirando os passos lentos do bordado narrativo”, salienta Noll, numa alusão ao conceito que, como um feixe, atravessa as 10 histórias: a sensação de expatriamento.

Esse sentimento é experimentado já no texto que abre o volume, não à toa intitulado “Viagens”. No conto, a narradora relata o susto de sua volta à cidade em que nasceu, num paralelo possível com a trajetória da própria autora: Paloma tem nacionalidade argentina e veio para o Brasil com apenas dois anos de idade.

“Nada daquilo tinha realmente a ver comigo, mas ainda hoje sobrevive em mim como uma zona escura da memória, um ponto de fuga para onde correm medos que não sei ao certo de onde vêm, nem se algum dia encontrarão sossego”, anota, em primeira pessoa, a personagem. A impossibilidade de apreender a infância perdida é comparada, numa metáfora feliz, aos entraves para se decodificar com perfeição uma língua estrangeira: por mais que se tente, há “vazios de sentido, expressões que se perdem, fonemas que se confundem”.

Mote semelhante se dá em “O retorno”, no qual a protagonista segue para Buenos Aires no afã de enterrar o pai e acaba recordando um antigo trauma. Paloma é precisa ao potencializar, no curto tempo de estada, a dor renascida com o regresso, que coloca a personagem “num limiar entre dois mundos”, na tênue linha que une (e divide) o hoje ao outrora. Na parte final do trajeto, cumprida de táxi, a mulher vê as esquinas da cidade fundindo-se a imagens em flashback: “um quintal, um balanço, mãos grandes e suaves empurrando suas costas, um sorriso quase a seu alcance”.

É pena que em muitos momentos essas vias de introspecção sejam abafadas por trechos eminentemente dissertativos. Em “Viagens”, por exemplo, as informações históricas e estatísticas sobre os fluxos migratórios entre os países europeus e a Argentina interrompem de forma brusca o mergulho subjetivo da personagem. Em “Jesus de El Paso”, a narrativa ganha tons panfletários quando a protagonista cogita dizer ao soldado que invadiu seu ônibus “que o que está acontecendo no Iraque é de responsabilidade de seu comandante-em-chefe e de sua cruzada contra o terror”.

Outro problema - traço que, aliás, já se apresentava em “A duas mãos” (7Letras, 2003), o livro anterior - é a recorrência no emprego de expressões gastas. A utilização de lugares-comuns como “sentia-se novamente uma criança”, ou “uma onda de felicidade veio em sua direção” denota certa falta de rigor e destoa na prosa em geral sofisticada da autora. Até porque, quando liberta da ‘pesquisa’ e mais atenta à composição, Paloma voa bem alto.

Prova disso é o conto “Tempo de partir”, baseado numa peça de Juliana Pamplona. A trama se inicia quando a protagonista, uma senhora uruguaia que vive no Brasil, observa a máquina de lavar girando e “fazendo rodar as roupas numa mistura de cores que a hipnotiza”. A partir dessa cena prosaica, Paloma constrói um poderoso retrato de família em cujo epicentro está a personagem. “Ellos ni se falam, pero sus ropas se entrelazam em la máquina de lavar”, ela pensa em ‘portunhol’, enquanto repassa a tentativa frustrada de ensinar o espanhol aos netos, os conflitos com a nora que a despreza, conferindo-lhe a responsabilidade pelos desajustes familiares. Por fim, lembra da particular afeição por Alice, a única neta mulher.

Com a máquina de lavar já desligada, as roupas se aquietam. A senhora, então, retira o macacão vermelho da menina e o pendura no varal, “como uma bandeira solitária”. A comovente alegoria do desfecho vislumbra uma conexão possível naquele pequeno núcleo onde se tornara praticamente uma ‘estrangeira’. Uma vitória, ainda que parcial e tímida.

* Escritor e jornalista. Autor de “Somos todos iguais nesta noite” (Rocco)

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Caymmi (ainda e sempre) Escrito em 18 de agosto de 2008
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Embora admirador - claro! - das canções que exaltam a Bahia e seus encantos, sempre me foram especialmente mais caras as composições nas quais mestre Caymmi cantou o mar. Por detrás da aparente simplicidade das melodias e das letras, essas músicas retratam uma sabedoria calcada na vivência humilde daqueles que vivem no litoral. Gente para quem o mar representa um lugar de partida (e, quem sabe?, de volta), mas também um signo da enormidade da natureza - e, conseqüentente, de nossa pequenez. Como mistério metafísico, enfim.

(Talvez por ter morado muito tempo perto da praia, essa noção me é perfeitamente exata).

Mas 'meu' Caymmi também é o autor dos sambas urbanos. Do sincopado (A vizinha do lado) aos sambas-canção, mais dolentes, quase tristes, como Não tem solução e Você não sabe amar.

Bem disse ontem o amigo Francisco Bosco, em declaração a O Globo, que Caymmi "encarnou, como quase ninguém, o mito brasileiro". Chico, que é autor de um belo estudo sobre o artista, salienta que "o mais marcante de sua morte é que ela chega num momento em que estamos nos distanciando desse mito": "Hoje, há um racionalismo que ataca a idéia de democracia racial, interpretações do Brasil que reforçam nosso atraso, um futebol no qual a eficácia substitui o lúdico".

Acrescentaria que, neste país cada vez mais bruto, a morte de Caymmi é também mais um golpe contra a delicadeza .

P.S. Ao saber do falecimento, Cesar Maia anunciou que pretende dar o nome de Caymmi a uma rua do... Leblon! Como o compositor morou boa parte de sua vida em Copacabana, que inclusive mereceu um tributo de sua lavra ('Sábado em Copacabana'), estou até agora tentando entender a lógica do alcaide.

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Caymmi - 1914/2008 Escrito em 16 de agosto de 2008
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"É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar"

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Das Neves no Cosme Velho Escrito em 15 de agosto de 2008
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Wilson da Neves, fera das baquetas e grande imperiano, será o convidado do próximo domingo na nova roda de samba que vem rolando no Cosme Velho. O furdunço acontece no quintal de um casarão próximo ao bondinho do Corcovado (Rua Cosme Velho, 599) e é comandado pelo grupo Pimba na Pitomba, do gente-boa Lenildo Gomes.

A roda começa às 16h e, em geral, vai até 21h30. Os ingressos custam R$ 12, caindo para R$ 10 na lista amiga (para entrar, basta mandar e-mail para pimbanapitomba@gmail). Das Neves deve apresentar composições de seus dois (excepcionais) disco-solo: O som sagrado de Wilson das Neves e Brasão de Orfeu.

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Como andam chatos os jornais Escrito em 15 de agosto de 2008
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Como andam chatos (bizarros?) os jornais. O Merval Pereira, de O Globo, parece colunista do Washington Post: só fala nas eleições norte-americanas. Em que pese sua importância para o resto do mundo, o pleito definitivamente não é a única pauta política do momento, como um incauto pode pensar ao ler, nas últimas três semanas, as colunas do jornalista

O mesmo O Globo publica hoje uma matéria que, como alerta meu bom amigo Cid Benjamin, mais se assemelha a um informe publicitário. Sob o pretexto de anunciar o aquecimento do mercado imobiliário na Zona Oeste do Rio, o jornal abre generoso espaço para que o presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, propague os predicados de seu 'produto': "Os lançamentos nessas áreas hoje têm piscina, área para esporte e home theater. Um de nossos imóveis tem até boliche", afirma ele.

Já a Folha de S. Paulo se prestou a ser garoto de recados de João Gilberto. Na edição de anteontem da Ilustrada (seu suplemento de cultura), a colunista Mônica Bergamo publicou uma lista de "amigos perdidos" a quem o cantor procurava a fim de convidá-los para o show que iria realizar na capital paulistana. Sob um antetítulo formado pela palavra Urgente, Mônica avisa que as pessoas relacionadas devem passar na bilheteria "para pegar seus ingressos". Abro aspas para a colunista:

"Atenção, "irmãos Waldemar e Wilson", João quer vocês no show; "doutora Terezinha, prima do Toninho Botelho", a senhora também é esperada; "o Marcelo que trabalhava na Varig me daria um grande prazer se fosse", diz João Gilberto. E também Carlinhos Rodenburg, do banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas (ele é parente afastado do cantor).

João listou ainda "três grandes cantoras, Elsa Laranjeira, Maricenne Costa e Mirian Fraga"; "meu querido Mario Thompson e sua família"; Acyr, Cyro Del Nero, Álvaro Moya, Alfredo Borba, Antonio Vanderlei, Daniel Serra, Elizabeth Rizzini, Orfeu Palmari e sua irmã; Os Titulares do Ritmo e suas famílias; Alberto, Eduardo Mario, Dina, Silvinha e dona Gita, da família Leão Fuerte; Rodolfo Nagler, Sabát, "o grande Fernando Faro"; Joãozinho Bossa Nova; Luiz Galvão e também seus músicos; Iná Abreu e José Pires; e Mônica Vanderley e Paulinho."

Relevância indiscutível, não?

Andam mesmo chatos os jornais - embora ainda menos do que o João Gilberto.

P.S. Uma exceção, digna de ser mencionada aqui: a edição de ontem do Segundo Caderno (O Globo). O suplemento foi todo dedicado ao aniversário da bossa nova e conseguiu dar certo frescor a esse assunto tão batido. Das matérias muito bem escritas por coleguinhas como João Máximo e Leonardo Lichote ao lindo projeto gráfico, salpicado pelos desenhos do bamba César Vilela, um primor de peça jornalística.

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Samba bom Escrito em 14 de agosto de 2008
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Boa pedida para hoje - e para as próximas quintas-feiras - é o show que o Pedro Paulo Malta, nosso alvinegro e portelense amigo Pepê, comanda a partir das 21h no Trapiche Gamboa. Acompanhado por um time de craques - Luís Filipe de Lima (violão de 7 cordas), João Callado (cavaquinho), Alexandre Maionese (flauta, tamborim e voz), Beto Cazes e Fábio Cazes (percussões) -, Pepê promete fazer desfilar um repertório de sambas clássicos e de pérolas menos conhecidas, de Candeia a Caymmi, de Dona Ivone Lara a Cartola, de Monarco a Elton Medeiros.

O nome do grupo - Samba bom -, aliás, é fiel a esse propósito de combnar qualidade com diversidade, e foi inspirado nos versos de Geraldo Pereira na composição homônima, que dizem: “Num samba desses vale a pena a gente entrar”. E como vale!

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# Duas rapidíssimas Escrito em 12 de agosto de 2008
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Enroladíssimo com a cobertura da X Conferência da OAB, além de resenhas e matérias a entregar, andei deixando este espaço um pouco de lado nos últimos dias. Volto com notícias rápidas:

. Na próxima quinta, acontecerá a primeira aula da oficina de conto que vou comandar lá na Estação das Letras. Já são 14 os inscritos, mas ainda há vagas. A oficina terá caráter eminentemente prático, não obstante as conversas sobre as concepções de autores como Julio Cortázar, Ricardo Piglia e Jorge Luis Borges sobre a narrativa curta. Informações pelo telefone 3237-3947;

. Na outra semana, participarei dos Encontros Literários promovidos pelo Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio. O evento será na quarta-feira (dia 20), às 19h, com mediação de Henrique Rodrigues e entrada gratuita. Meu tema: Um olhar sobre a cidade lírica. O Centro Loyola fica na Estrada da Gávea, 1 (final da Rua Marquês de São Vicente).

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'Para uma certa mulher' Escrito em 07 de agosto de 2008
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Foi com emoção que reencontrei, no blog do Marceu Vieira, uma crônica que ele escreveu quando ainda estava no Jornal do Brasil, onde assinava a coluna Coisas do Rio. Com seus textos extremamente bem redigidos, sempre sensíveis, plenos de sinceridade, Marceu já era então uma referência para aquele adolescente que sonhava estudar jornalismo.

Mas me lembro bem: foi ao ler Para uma certa mulher que pude ter a exata certeza de que o ofício ao qual me dedicaria seria, de fato, o mesmo do autor daquelas palavras. Em segredo, eu alimentava a esperança de um dia, quem sabe, escrever como ele.

Posto, abaixo, um trecho da crônica. Leia a íntegra no aqui.

"Para uma certa mulher"

Marceu Vieira

"A mulher na Praça General Osório, às quinze para as cinco da tarde, não sabe que bem do lado alguém busca nela a inspiração que falta. Parece querer consolo do sol que ilumina mas não aquece o início do outono em Ipanema, com suas folhas amareladas se desprendendo das árvores para dançar no vento.

A aparência sugere mais de 30. O batom disfarça o sentimento do mundo que parece carregar. Mas as lágrimas denunciam que sofre.

É moça da Zona Sul, percebe-se. É branca, alta e um certo jeito de mexer nos cabelos tenta dizer que já se achou mais bonita.

Como num filme, vira-se para o lado e, sem que se pergunte, conta que encontrou um bilhete perfumado no bolso do marido. Em letras miúdas e bem desenhadas, o papelzinho denunciava o desassossego no coração do homem com quem está casada há alguns anos. (...)"

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A dica de 'Adriana Lunardi' Escrito em 07 de agosto de 2008
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“Para quem está interessado em publicações recentes, compartilho a leitura de Caio Fernando Abreu, inventário de um escritor irremediável (ed. Seoman). O perfil biográfico escrito por Jeanne Callegari possui, a meu ver, méritos que merecem ser apreciados. Entre eles, o fato de reunir organicamente informações esparsas, em geral publicadas na forma de depoimentos, feitos e recebidos por pares ainda atônitos com a perda de Caio. A pesquisa é confiável e aponta para que enxerguemos no seu traçado uma vivência pessoal, em grande parte endossada pelo relato da autora, que demonstra talento narrativo e sobriedade quanto à natureza de sua iniciativa. Em Caio... não passa despercebida a atmosfera de tributo de uma leitora dedicada, mas de que outra obsessão se alimentaria um biógrafo? Se Cartas, de Italo Moriconi (org.), segue sendo a publicação mais relevante sobre a vida do autor de Morangos mofados, morto em 1996, é bem vindo o perfil de Jeanne. Nascida em 1981, a autora tem a vantagem de ter e não ter sido contemporânea de seu biografado. Vejo com entusiasmo o fogo da geração anterior ser roubado. É com essa passagem que a eternidade de um autor se inicia”.

* Escritora. Autora dos livros ‘Vésperas’ e ‘Corpo estranho’, ambos lançados pela Rocco

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Crime na Rua do Ouvidor Escrito em 06 de agosto de 2008
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Quando estivemos no domingo passado na histórica Rua do Ouvidor, eu e alguns amigos flagramos esse verdadeiro crime cometido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. As tradicionais luminárias do logradouro, de resto um dos mais preservados de nossa cidade, foram trocadas por ‘modernas’ (e feiosas) lanternas a vapor de mercúrio.

Além de totalmente desintegradas do conjunto arquitetônico da encantadora rua, as lanternas agridem os olhos com a inadequada instalação que deixa expostos os fios elétricos, prova mais palpável da gambiarra feita pelo poder municipal.

Acima, está uma imagem que registrei no domingo. Abaixo, uma foto mais antiga, de quando as luminárias ainda estavam lá, compondo um dos cenários mais genuinamente cariocas que o Centro nos oferece.

P.S. O amigo Cesar Tartaglia também denunciou o crime em seu blog (foi de lá, aliás, que tirei essa imagem anterior à substituição). Confira aqui.

Atualizando o post: Um amigo que trabalha no jornal O Globo ligou para a Prefeitura, a fim de apurar essa história. A informação oficial é que as luminárias foram retiradas para manutenção e retornarão a seus lugares em 15 dias.
Fiquemos de olho.

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Visões do documentário Escrito em 06 de agosto de 2008
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Coutinho estará na mesa de abertura do ciclo

Bom programa para aqueles que, como este que vos escreve, gostam do gênero é o ciclo Visões do documentário brasileiro, que começa hoje no Espaço Sesc Copacabana. Os diretores Eduardo Coutinho e João Moreira Salles serão os debatedores da mesa inaugural do evento (cujas atividades se iniciarão às 19h). Eles falarão primordialmente sobre o processo de criação, mas não deixarão de comentar também questões como o trabalho de pesquisa e o processo de montagem, entre outros.

Com entrada gratuita (mediante a distribuição se senhas), o ciclo terá prosseguimento nas próximas quartas-feiras. Na semana que vem (dia 13), Silvio Tendler e Guilherme Coelho debaterão cinema independente. Eryk Rocha e Joel Pizzini serão as atrações no dia 20, abordando o documentário de invenção, e, no dia 27, Roberto Berliner e João Jardim vão discutir a dificuldade de distribuição dos filmes-documento no Brasil. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2548-1088.

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Morengueira contra 007 Escrito em 05 de agosto de 2008
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No domingo passado, durante o churrasco da já clássica Pelada da Folha Seca, o Tiago Prata me apresentou esse hilário samba-de-breque, que foi gravado por Moreira da Silva. O samba é de autoria de Miguel Gustavo, presença habitual nos discos do Kid Morengueira, e narra uma história deliciosa: o agente 007 vem ao Brasil, trazendo a atriz Claudia Cardinale, com a expressa missão de evitar que Pelé enfrente a seleção inglesa na Copa de 1970.

Mas o pobre Bond poderia imaginar que, ao chegar aqui, teria que enfrentar o valente Morengueira. No fim do embate, que começa da piscina da concentração do Santos, passa pela sede do Dops e termina do Braz, é ele, o Morengueira, quem se dá bem. Segue a letra do samba.

"Morengueira contra 007"

Miguel Gustavo

"Começa o filme com o 007
saltando em Santos com a Claudia Cardinale
com seu decode italiano ela é tão bela
que ninguém vê o James Bond junto dela
Os dois se hospedam na concentração do Santos
e entre tantos ninguém sabe por que é
que ela desfila de biquini na piscina
e na maior intimidade com o Pelé
a bonitinha não percebe a tabelinha que ele faz
Pelé controla a Cardinale da-lhe um beijo e avança mais
Gol do Brasil (temperamento latino é fogo)
O James Bond neste instante dá o flagrante
diz que Pelé tem que pagar pelo que fez
entram em luta corporal e o 007
vai abater o jogador com um soco inglês
porém Moreira que assistia toda a cena
entra sem pena vai no set e manda o pé
rabo de araia e antes
apara o soco e livra cara do Pelé
Moreira leva James Bond para o Dops
e na fofoca mais fofoca que eu já vi
vem jornalista, embaixador inglês se irrita
e entra na fita todo o Itamarati
Aí Moreira leva a Claudia Cardinale
para jogar um pafi-pafe em Guarujá
vão no boliche, comem pizza lá no Braz
e cantam um samba de Vinicius de Moraes
Claudia confessa o seu amor por Morangueira
faz a besteira de dizer que o ama com fé
só foi o Santos com o 007
pra ajuda-lo a raptar nosso Pelé
roubar Pelé pra não jogar contra a Inglaterra
porque os inglesses sofrem de alucinação
e toda noite vem um fantasma de chuteiras
fazendo gol no gol da sua seleção
E vem o time brasileiro se sagrando campeão,
termina o filme com Moreira dando um dible no espião,
O James Bond foi derrotado e acabou sua missão"

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