Author: adminmoutinho

Palmito

Juliana, minha companheira, ganhou o Palmito há cerca de quinze anos. O esmirrado filhote que saltava pelos cantos da sala, investigando o mundo com a curiosidade de habitante recém-chegado, logo se transformou num enorme cachorro. Impossível mantê-lo no acanhado apartamento. E assim Palmito foi morar na casa de dona Tânia, a mãe da Ju. No ..

Dorezinhas

Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, pobrinha como buraco na sola do sapato. Caio Fernando Abreu Abraçado à privada, o homem lança em jatos o resto azedo da noite. Hesito em abordá-lo, perguntar se precisa de alguma coisa. Alguns segundos apenas. Decido ficar em silêncio, deixá-lo ali, abandonado por si, por ..

Escritores e seus labirintos

Em crônica recente sobre as mudanças na arrumação de sua biblioteca, o jornalista e escritor Fernando Molica revelou uma pequena travessura literária. Ao organizar as estantes conforme a nacionalidade e o idioma, costumava dispor, lado a lado, autores que passaram a vida trocando rusgas fora (e às vezes também dentro) dos livros. José Saramago e ..

Tem dias

Tem dias em que o copo de café cai da mão. Você coloca a quantidade de sempre, pinga o adoçante, pega o jornal, senta-se na cadeira pronto para mergulhar nas notícias de ontem e… tá lá o líquido derramado por toda a mesa, encharcando os papéis, pingando no chão. Logo ao acordar o troço se ..

Tarde no Centro

Eram 15h39 quando o filete de sol marcou o piso de pedras portuguesas da Cinelândia, como se dividisse a praça em duas partes. O dia, até então, se mantivera nublado. No ponto do VLT, ao sentir a estreita faixa de claridade espetar os olhos, a moça tirou da bolsa os óculos escuros, pôs sobre o ..