
Retomando seu blog em altíssimo estilo, Paulo Roberto Pires publicou hoje um delicioso texto sobre os escritores e seus túmulos. O gancho é o recém-lançado Tumbas, de Cees Nooteboom, um passeio pelos túmulos de poetas, prosadores e filósofos de todo o planeta. Assim como Nooteboom, Paulo tem um confessado fascínio pelo assunto - ele diz que já chegou a desviar roteiro de férias para visitar cemitérios. Segue um trecho do texto. Leia a íntegra aqui.
"Uma mulher e dois homens, os três estrangeiros e comunicando-se mal em português, chegam à administração do São João Batista, o gigantesco cemitério incrustado no meio de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Procuram o túmulo de um certo Machado de Assis.
Só tendo o primeiro nome – informa o prestativo funcionário.
Mas o senhor não conhece o grande escritor? Não é fácil saber onde está?– arrisca o mais fluente.
Só pelo primeiro nome. Tem muita gente que se chama assim, nosso registro é baseado nos primeiros nomes – diz ele, revirando os livros de registro manuscritos
A mulher, fotógrafa, vê a possibilidade de um bom flagrante. Mas no primeiro clique, é repreendida pelo funcionário:
- Aqui não pode tirar foto não senhora. E também não pode tirar foto no cemitério.
É mais ou menos assim – dei à tradução uma “cor local” não difícil de imaginar – que começa “Tumbas”, fascinante viagem de Cees Nooteboom e sua mulher, Simone Sassen, pelos túmulos de escritores e filósofos em todo o mundo (...)"
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10 de março de 2010
Dois lançamentos e uma exposição
Dois lançamentos literários movimentam hoje a cidade. Na Da Conde do Leblon, a partir das 19h, o amigo Fernando Molica apresenta mais um volume da coleção Jornalismo Investigativo: o livro 11 gols de placa. A seleta, organizada por ele e editada em parceria pela Record e pela Abraji, reúne grandes reportagens sobre futebol, publicadas originalmente em veículos como O Globo, Foha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Zero Hora, O Dia, Veja e Placar. Onze bambas da escrita, entre eles João Máximo, Marceu Vieira, Juca Kfouri e Mário Magalhães, assinam os textos e comentam, em relatos feitos hoje, os bastidores da apuração. A Da Conde fica na Rua Conde de Bernadotte, 26.
Já na Travessa de Ipanema, também às 19h, Sérgio Rodrigues lançará seu Sobrescritos - 40 histórias de escritores, excretores e outros insensatos. Publicado pela Arquipélago editorial, o livro é um compêndio com os melhores contos veiculados por Sérgio em seu referencial site Todo Prosa, e que têm como tema o mundo literário. Nos textos, aparecem personagens como Lúcio Nareba, "lenda da blogosfera nacional", e Demóstenes Bastião, aquele que só escrevia em preto-e-branco. A Travessa de Ipanema fica na Rua Visconde de Pirajá, 572.
Além dos dois lançamentos, será hoje a abertura a exposição Pedras portuguesas. Subúrbio, do fotógrafo Bruno Veiga. Sem expor na cidade há cinco anos, ele apresenta 24 trabalhos. São oito fotografias em grandes formatos, nas quais explora de forma o grafismo das calçadas da orla carioca, sobretudo as concebidas por Burle Marx para a Avenida Atlântica. Completam a mostra 16 registros de detalhes de fachadas e da decoração de casas da Zona Norte do Rio, como a imagem acima, além de cenas que enfocam costumes dos bairros da região. O material foi coletado ao longo de oito anos, a partir de 2001, quando Bruno ganhou uma bolsa da Rio Arte para retratar o estilo de vida de artistas como Noca da Portela, Nei Lopes, Tia Maria do Jongo, Jair do Cavaquinho, Wilson das Neves e Tia Eulália, entre outros. A exposição fica em cartaz até o dia 23 de abril, na Galeria da Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 431, Loja A, Gávea).
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09 de março de 2010
Lapinha
Ressuscitando um tipo de casa noturna que parece em extinção, os amigos Hugo Sukman e Luís Pimenta inauguram, amanhã, o piano-bar Lapinha. O nome é uma referência carinhosa ao bairro onde se localiza (esquina da Rua Mem de Sá com a Rua do Lavradio) e, principalmente, à cantora lírica e atriz Joaquina Maria da Conceição Lapa, brasileira que fez muito sucesso em Lisboa no final do século XVIII, e ficou conhecida como Lapinha. É ela quem aparece na logomarca da casa, assinada pelo artista gráfico Mello Menezes.
Rui Quaresma, também sócio da casa, explica como Mello desenhou a logomarca: “Na ausência de registros iconográficos, o artista acendeu uma vela, tomou um gole de marafu e, em profundo transe, aguardou o contato de Lapinha. Mas, segundo ele, por um problema de conexão, ‘baixou’ a Anastácia. Ele agradeceu a deferência e, trocando de frequência, conseguiu uma conexão visual, mesmo que em preto e branco, da grandiosa diva Joaquina Maria da Conceição Lapa, nossa Lapinha pioneira. E psicografando o mestre Rugendas, traçou a imagem daquela que dá nome ao nosso piano-bar, também pioneiro, na Lapa”.
O show de estreia vai promover um encontro entre a Zona Sul e a Zona Norte, personificadas nos cantores Leny Andrade e Nei Lopes. A ideia dos sócios é justamente abrir espaço para a chamada "canção". "Queremos mostrar grandes nomes da música nacional como o público nunca viu, num ambiente íntimo, despojado e aberto à criação”, resume Teresa Quaresma, a produtora do Lapinha.
A programação do piano-bar, que inclui shows solo de Leny e apresentações de Carlos Malta com o Pife Muderno, pode ser conferida aqui.
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